Restaking de criptomoedas: Um guia completo

Por Kraken Learn team
9 mín.
28/05/2025

Como fazer restake de ETH e outras criptomoedas 🧑🏽‍💻

O restaking permite que os validadores em blockchains como Ethereum e Solana reimplantem a sua criptomoeda em stake noutros serviços baseados em prova de-staking (PoS).

O staking é uma parte importante do mecanismo de consenso de PoS utilizado por muitas das maiores redes de blockchain do mundo. Envolve pessoas denominadas validadores que bloqueiam uma quantidade de criptomoeda nativa para ajudar a garantir a rede e participar no processo de proposta de blocos.

Em termos simples, quanto maior a rede de validadores de uma blockchain (também conhecida como rede de confiança), mais difícil é atacá-la.

Se não está familiarizado com este processo, consulte o nosso artigo sobre stake de criptomoedas ou o nosso vídeo que explica tudo o que precisa de saber sobre o processo.

Antes de fazer restake, os criptoativos em stake não podiam ser reimplantados em outros protocolos. Esta restrição apresentava dois problemas:

  • Os validadores estavam limitados no número de recompensas que podiam gerar a partir dos seus ativos em stake.
  • A segurança da rede não podia ser partilhada entre diferentes plataformas.

O restaking foca-se na agregação e ampliação da segurança de grandes redes de blockchain para outros serviços, como redes oracle, camadas de disponibilidade de dados e pontes de blockchain, para citar alguns.

Permite também que os validadores gerem múltiplas formas de recompensas por ajudar a garantir várias plataformas simultaneamente usando uma única criptomoeda.

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Como funciona o restaking de criptomoedas? ⚙️

Os protocolos de restaking oferecem um serviço opcional em que os validadores (designados restakers) podem redistribuir a sus ETH, SOL ou outra criptomoeda em stake em múltiplos protocolos ao mesmo tempo.

Isto inclui também ativos em stake líquidos de protocolos como Rocket Pool e Lido Finance.

EigenLayer, como um exemplo líder, consiste num conjunto de contratos inteligentes que permitem aos validadores da Ethereum fazer restake dos seus ativos e assegurarem outros protocolos baseados em Ethereum. 

EigenLayer refere-se conjuntamente a estes protocolos como “módulos” ou “serviços validados ativamente (AVS).”

Ao optar por protocolos de restaking, os utilizadores aceitam condições adicionais de slashing definidas por cada módulo, além das próprias medidas de slashing da Ethereum. 

O slashing é um componente importante dos sistemas PoS, em que os ativos em stake de um validador são parcial ou totalmente confiscados se o protocolo detetar comportamento malicioso.

Cada AVS especifica as suas próprias condições de slashing para encorajar os validadores a agir segundo os melhores interesses da sua rede. Sem estas penalidades adicionais, validadores maliciosos poderiam atacar conjuntamente e visar módulos vulneráveis.

De forma semelhante aos modelos de PoS delegados, os validadores podem confiar em operadores registados para fazer stake em seu nome.

Esta opção oferece aos restakers que podem não ter tempo ou equipamento para satisfazer aos requisitos de recursos do sistema de certos módulos uma oportunidade de participar nas suas redes e ganhar recompensas (menos as taxas cobradas pelo operador).

Além da característica de segurança agrupada do EigenLayer, também introduz um mercado aberto de AVS onde os restakers podem escolher livremente que módulos querem ajudar a assegurar.

As decisões podem ser influenciadas por vários fatores, como os requisitos de recursos de um módulo, taxa de recompensas, risco percebido ou que setor fornece.

Por exemplo, um grupo de validadores que acredita no futuro das redes oracle pode decidir fornecer segurança agrupada a AVSs com base em oracle em troca dos seus tokens nativos.

Outros podem especificamente visar AVSs com eleva recompensa e alto risco lançados em acréscimo ao EigenLayer numa tentativa de gerar recompensas máximas sobre os seus ativos em stake.

O que é restaking líquido? 💧

Os protocolos de restaking líquido combinam os benefícios do staking líquido e restaking, oferecendo liquidez acrescida, eficiência de capital melhorada e oportunidades adicionais de geração de rendimento.

O staking líquido aborda o problema da falta de liquidez no staking tradicional, em que os tokens estão tipicamente bloqueados em contratos inteligentes e não podem ser usados noutros protocolos de blockchain até que o período de staking termine.

Através do staking líquido, os utilizadores recebem um token derivado (como o stETH do Protocolo Lido) que representa os seus ativos em stake. Este derivado, por vezes referido como um token de recibo, pode ser negociado, usado em aplicações DeFi ou alavancado de outras formas, enquanto os ativos originais permanecem em stake.

O restaking líquido avança ainda mais este conceito.

Com estes protocolos descentralizados, os utilizadores que colocam os seus criptoativos utilizando uma plataforma de staking líquido podem, em seguida, fazer restake do token derivado que recebem no protocolo EigenLayer, recebendo um token de restaking líquido (LRT) em troca.

O LRT representa os ativos em stake e em restake de uma pessoa em múltiplos protocolos.

Uma vantagem significativa do restaking líquido é como elimina a necessidade de executar um nó validador, permitindo ainda que os utilizadores ganhem múltiplas recompensas de staking e mantenham liquidez.

Isto resolve um problema chave com o restaking no EigenLayer, seja através de restaking nativo ou utilizando tokens de staking líquido, pois envolve o bloqueio de ativos e a sacrifício da liquidez.

Protocolos de restaking líquido populares incluem Renzo Protocol, Puffer e Ether.Fi.

É seguro fazer restaking de criptomoedas? 👷

Qualquer nova tecnologia apresenta o seu próprio conjunto de riscos únicos.

O restaking não é diferente.

Esta lista representa apenas alguns dos riscos que o restaking apresenta, e não é de forma alguma exaustiva.

Uma diligência rigorosa é sempre aconselhada antes de interagir com qualquer nova tecnologia de criptomoeda.

  • Risco de contrato inteligente: Os contratos inteligentes podem conter vulnerabilidades ou falhas potenciais no seu código, como erros de codificação, bugs e portas traseiras. Estes problemas podem levar a consequências não intencionais, como perda financeira, violações de segurança ou exploração por agentes maliciosos.
  • Risco de slashing: O slashing pode ocorrer sem aviso prévio e resultar em perdas consideráveis. As criptomoedas que optaram por protocolos de restaking podem enfrentar riscos de slashing aumentados devido às condições adicionais impostas por cada AVS.
  • Risco de contraparte (Operador): Lidar com delegados de staking de terceiros exige que os restakers lhes confiem os seus ativos depositados. Os operadores de restaking devem cumprir as condições de rede de cada módulo ou arriscam perder fundos através de penalizações. Nesses cenários, não é claro se os restakers receberiam alguma compensação por esses eventos.
  • Risco sistémico: À medida que maiores concentrações de fundos dos utilizadores são bloqueadas em protocolos de staking individuais, isso cria pontos únicos de falha vulneráveis e problemas de centralização que poderiam ameaçar o ecossistema de criptomoedas mais amplo se fossem atacados ou corrompidos.

Por que é importante o restaking? 🧐

Quando a Ethereum surgiu em 2015, tornou-se a primeira plataforma baseada em blockchain do seu tipo a permitir que os desenvolvedores lançassem livremente as suas próprias aplicações descentralizadas (dApps) em cima da sua infraestrutura.

Fazer isso não só reduziu o tempo e o custo para desenvolver novos projetos de criptomoeda, mas também permitiu que os projetos beneficiassem da segurança da rede subjacente da Ethereum.

A Máquina Virtual Ethereum (EVM) é um ambiente de execução que fornece essa funcionalidade. Embora ofereça várias vantagens proeminentes, não está isenta de limitações.

Em particular, qualquer dApp construída em cima da blockchain da Ethereum que não seja compatível com a EVM não beneficia da sua segurança de rede. Essa limitação, por sua vez, cria várias outras questões:

  • Certos tipos de aplicações dentro do ecossistema Ethereum têm que criar as suas próprias redes de confiança.
  • Pode levar muito tempo e uma quantia considerável de dinheiro antes que projetos independentes consigam estabelecer o seu próprio conjunto de validadores suficientemente descentralizado e seguro.
  • Investir e fazer stake com novos projetos é percebido por alguns como tendo riscos mais elevados em comparação com o staking em blockchains bem conhecidas. Para compensar isso, projetos mais recentes são frequentemente forçados a pagar recompensas mais altas para atrair validadores para as suas redes, o que pode resultar em fuga de valor desnecessário.
  • No geral, a incompatibilidade pode criar disparidade entre dApps no ecossistema Ethereum, onde algumas aplicações têm maior segurança criptoeconómica do que outras.

Porque é importante que certas aplicações são menos seguras?

Intervenientes na indústria argumentam que as dApps são tão seguras quanto as aplicações de middleware de que dependem para funcionar (pontes de blockchain, oráculos, etc).

Muitas vezes, esses serviços de middleware menores dependem das suas próprias redes de confiança e são assegurados por um número consideravelmente menor de ativos em stake do que a blockchain da Ethereum. Isto torna-os muito mais fáceis de atacar.

Consequentemente, introduzem vulnerabilidades inerentes ou pontos únicos de falha que podem comprometer significativamente a segurança de outras dApps se forem atacadas ou exploradas.

Por exemplo, Axie Infinity (AXS) é um popular jogo de criptomoedas play-to-earn construído sobre a blockchain Ethereum. No entanto, em 2022, a sidechain Ronin do projeto sofreu uma grande violação, permitindo que hackers roubassem mais de 170.000 ether (ETH) e 25 milhões de USD Coin (USDC).

Na altura, foi o maior ataque DeFi da indústria.

Os protocolos de restaking procuram abordar este tipo de limitação permitindo que os validadores façam restake dos seus ativos criptográficos numa variedade de serviços, mesmo os incompatíveis com a máquina virtual de Layer 1.

O resultado é uma segurança criptoeconómica partilhada entre múltiplos protocolos e serviços, que os defensores acreditam que resultará, em última análise, num ecossistema mais robusto de aplicações descentralizadas.

Exemplos de outros protocolos de restaking 📋

Além do protocolo de restaking baseado em Ethereum do EigenLayer, outras instâncias de protocolos de restaking estão em desenvolvimento inicial noutras blockchains Layer 1 de referência.

Qual é o futuro do restaking? 🔮

Em síntese, o restaking representa um avanço significativo no domínio da tecnologia blockchain, particularmente em redes baseadas em prova de staking (PoS) como a Ethereum. 

Ao permitir que os validadores reimplantem a sua criptomoeda em stake em vários serviços PoS, o restaking aborda limitações chave no modelo tradicional de staking. 

Esta inovação não só expande as recompensas potenciais para os validadores, mas também melhora a segurança da rede ao agregar recursos e partilhá-los entre diferentes plataformas.

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